Uma névoa densa embaça minha visão que costumava ser inatingível. Um frio obscuro percorre minha espinha, coração pulsante, riso dilacerado, olhar profundo. Mais uma vez repito pra mim em voz baixa "Preciso ser fria. Preciso ser fria. Preciso ser fira." Bom, isso é mais uma prece do que uma afirmação, não se lidar muito bem com tais fatos quando se trata de mim.
Tanta coisa acontecendo lá fora enquanto eu apenas observo as gotas da chuva deslizarem pela janela do meu quarto. Nenhum lugar parece confortável pra mim nessa casa, às vezes o canto da janela é meu único refúgio. Daqui eu vejo caminhar pela rua casais loucamente apaixonados, coroas solitários passeando com seus cachorros, crianças felizes por não saberem o que a vida lhe reserva brincando com outras crianças enquanto fazem um breve caminho de volta às suas casas. Minha rua costuma ser movimentada, a bem menos de cem metros tem uma praça, onde pessoas distintas gastam seu tempo indo pelo simples motivo de não ficar em casa. Eu costumo ser diferente dessas pessoas. Não lembro a ultima vez que me dispus a sair de casa, e me dirigir até aquela praça nem pra levar um vento no rosto. Eu costumo ficar aqui, solitária com meus livros e rascunhos , acompanhada do meu gato Wosh, que na maioria das vezes me troca por um pouco de liberdade pelos muros da vizinhança. Se eu fosse ele, também faria isso. Não é fácil conviver com uma mulher cética, crítica, autoritária, e carente ao mesmo tempo.
Não deveria estar escrevendo novamente, minha mãe sempre costuma dizer que é perca de tempo, porque eu nunca passo das primeiras trinta linhas. O que é frustrante, pois eu tenho ideias pra umas trinta mil linhas. Bom, acho que dessa vez eu consigo expressar ao menos metade do que se passa entre as quatro paredes do meu quarto, ele não costumava ser tão vazio, antes tinha flores (embora eu odeie flores) Mas parecia menos depressivo. O que houve com você querido quarto? parece tão desmotivado junto com esses móveis sem graça. Não me decepciones, sei que você é responsável pelo conforto que me gera inspiração. Mas agora minhas ideias parecem tão confusas, ou talvez elas estejam mesmo. Talvez eu devesse tirar esse pijama, lavar o rosto, vestir um jeans e dar uma volta naquela praça. Talvez pra ficar lá sentada com meu caderno, ou encontrar um velho conhecido que não vejo a muito tempo, ou apenas me balançar naquele balanço enferrujado que eu costumava me divertir quando era pequena. Talvez o que esteja me faltando seja inspiração, ou seja saudades do meu cachorro que morreu.
Eu não preciso dessas coisas velhas e superficiais, quero uma aventura, embora pareça sedentária eu gosto de me aventurar no desconhecido. Foi assim, que conheci muitas coisas. Está decidido, vou comprar uma passagem para a cidade vizinha , onde mora uma amiga de infância, vou passar um mês ou dois por lá. Quero me reencontrar, quem sabe me apaixonar, e depois que acabarmos, terei ideias para romances trágicos por pelo menos três meses. Não me veja como pessimista, é que eu sei bem que na maioria das vezes tudo termina assim, ela chorando e comendo doces com as amigas, e ele enchendo a cara e pegando todas que cruzarem seu caminho. Bom, na maioria das vezes, mas no meu caso eu não choro, nem conto pras minhas amigas, apenas escrevo. E o cara, bom eu nunca sei o que ele costuma fazer, porque eu não o procuro mais, mesmo que tenha sido eu quem terminei. Eu dou a ele um tempo pra sí, e acabo esquecendo o momento de voltar atrás. Mas bom, eu não costumo voltas atrás, então eu nunca saberei.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
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