quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


   Ela chegou, meio envergonhada. Sorriu, e acenou meio sem jeito. Seus olhos brilhavam, e refletiam seu contentamento. Ele, pegou sua mão e a guiou até onde a esperava a tarde toda. Sua respiração estava ofegante,a vista era deslumbrante, a brisa levava seus cabelos, ela sorria meio discretamente a cada vez que ele segurava sua mão mais forte. Era uma tarde ensolarada, o parque parecia um lugar perfeito naquele momento. Seguiram caminho até uma parte mais isolada, onde havia um lago, e um banquinho meio antigo, mas que dava todo um charme ao lugar, junto com um toque de romancismo.
   Ela olhava para seus olhos na busca de algum sinal de que aquilo não era um sonho, ou de que ela não estava vivendo uma fantasia. Ele a encarou por uns instantes, tempo suficiente para ela sentir suas bochechas ficar rosadas, era meio constrangedor para ela, porque ela não sabia o que exatamente se passava pela cabeça dele, ou cada passo que ele havia programado para aquele final de tarde.As mãos dele encontraram sua cintura, e a trouxeram para mais próximo de si, palpitações cada vez mais intensas, respiração cada vez mais ofegante, então ele a beijou. Ele tinha um toque suave,embora suas mãos fossem firmes, era uma mistura de bossa nova com jazz .
    Na mente dele surgiam dúvidas do que ela pensara sobre tudo aquilo, o que ela achava dele, daquele lugar. De todo seu romantismo exagerado. Mas ela só sabia sorrir, e aquilo o incomodava, porque ela poderia estar rindo dele, ou com ele, ou do que ele parecia.
    Mas ela na verdade não queria demonstrar sua empolgação com tudo aquilo. Ela sabia, que se expor demais logo na primeira vez podia trazer danos, então ela resolveu num ato de impulso entregar-se intensamente aquele dia. Ela não quis pensar no agora, no depois , ela não quis pensar em absolutamente nada. E o resultado nada mais seria que perfeito, se não fosse por sua timidez. Ah, menina, se tu soubesses o dano que a timidez poderia te causar, nem por um instante irias querer ouvir o nome dela.
   Era quase noite, e o frio chegava sorrateiramente, suas mãos agora frias, procuravam por um abrigo, um lugar onde ela pudesse as esconder, sem demonstrar mais fragilidade do que já havia mostrado a tarde toda. Meio inquieta, pegou seu bloco de anotações e listou : "Nunca mais sair quando minhas certezas forem mais frias que minhas mãos."
  Ele a fitava curioso, meio duvidoso e incerto, ambos ficaram em silencio por um tempo. Aquele silêncio a incomodava, pois ela conseguia ouvir cada pulsar de duvidas em seu peito. E se perguntava se ele era capaz de ouvir também. Ele só queria está ali junto dela, sem pensar em mais nada. E aquela seria a noite mais perfeita de suas vidas, pois o silêncio dizia o que palavra nenhuma seria capaz de expressar, e foi ali naquela noite, que o silêncio foi o maior responsável por um amor de verão, que sobreviveu as estações inteiras.

Live and Marcus

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